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Metalografia Tamanho de Grão ASTM E112 (Como Calcular)

Metalografia_Aço_Carbono_Tamanho_Grão_Ferrítico

METALOGRAFIA TAMANHO DE GRÃO AUSTENÍTICO EM AÇOS

O tamanho de grão austenítico tem grande influência nas propriedades mecânicas dos materiais metálicos. A metalografia tamanho de grão é uma avaliação importante para o controle da qualidade metalúrgica.

O tamanho de grão é uma medida da metalografia quantitativa. As amostras de material são preparadas metalograficamente, atacadas com os reagentes metalográficos indicados (Tepol no caso dos aços temperados para determinação de tamanho de grão austenítico – veja em nossa tabela de reagentes, aqui) e avaliadas em microscópios metalográficos. Lembrando que amostras ferrosas devem ser temperadas e revenidas para a inspeção do tamanho de grão austenítico do material.
A Metalografia Tamanho de Grão e Propriedades Mecânicas

Metalografia Tamanho de grão austenítico AISI 5160
Metalografia Tamanho de grão austenítico. AISI 5160. Preparação para Astm e112. Ataque: Tepol. Aumento: 200x

Devido a importância desta medida sobre as qualidades do material, como por exemplo, dutilidade, tenacidade e resistência mecânica, trata-se de uma característica que deve ser avaliada periodicamente nos materiais adquiridos e nos produtos fornecidos. Produtos de responsabilidade, ou de elevada solicitação são periodicamente avaliados nesta característica.

A medida de tamanho de grão conforme a norma ASTM E112 se refere unicamente ao tamanho de grão austenítico do material. Desta forma esta norma se aplicaria somente à materiais ferrosos com transformação mecânica. Ou seja, esta norma tem aplicação em aços carbono. Devido a necessidade da amostra ter que ser temperada para o ataque, é necessário que o material para a análise através deste método também seja temperável. No caso dos aço inox austeníticos a medida de tamanho de grão não necessita da têmpera, uma vez que os grãos austeníticos já estão presentes naturalmente no material.

METALOGRAFIA TAMANHO DE GRÃO ASTM E 112 – MÉTODO DE CÁLCULO

O número do tamanho de grão ASTM (n), escala de medição mais difundida no mercado, é dado por:

N = 2^(n-1)

onde n é o tamanho de grão ASTM (ou Carta ASTM), e N é o número de grãos por pol² (polegada quadrada) medido com 100x de aumento.

Existem três métodos de avaliação de tamanho de grão: Avaliação comparativa por quadros, Métodos de contagem de grãos e o Método dos Interceptos, sendo os três descritos e padronizados na ASTM E112 e em normas correlatas para a determinação do tamanho de grão.

O método dos interceptos é muito moroso, porém preciso. O método dos quadros comparativos permite uma boa avaliação sem ocorrerem erros significativos e é bem mais rápido.

Uma solução existente para a avaliação não padronizada dos tamanhos de grão é medi-los com a escala micrométrica e converter o valor de mícrons para o número ASTM de tamanho de grão. Esta conversão é dada pela equação abaixo onde o tamanho do grão (Lmm) medido em milímetros é inserido na fórmula e se obtém o número do tamanho de grão (G) ASTM.

G = – 3,2877 – [6,6439 x log(Lmm)]

O gráfico abaixo é uma representação desta relação entre Número de Tamanho de Grão ASTM e Tamanho de Grão em mícrons.

ASTM E112 medida metalográfica de grãos Nr ASTM x Medida L em microns
ASTM E112 medida metalográfica de grãos Nr ASTM x Medida L em microns

Esta medição apresenta alguns limites para avaliação de tamanhos de grão com crescimento anormal, aços duplex com fases não homogêneas, aços laminados com grãos muito alongados. Nestes casos deve-se procurar métodos específicos de medição.

Conclusão

  • O tamanho de grão austenítico é uma característica importante para a qualidade do produto
  • A metalografia tamanho de grão em aços conformados é feita com a medição do grão austenítico
  • A medida do tamanho de grão ASTM E112 não é a medida em mícrons do tamanho de grão
  • Existe uma conversão entre tamanho de grão ASTM e tamanho de grão em mícrons

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Análise Metalográfica – Aprovação Fornecedor

aço cementado metalografia picral - 1 Serviços

uso da análise metalográfica na avaliação de fornecedores

Inspetores utilizam a análise metalográfica nas inspeções de recebimento e qualificação de fornecedores. Esta metalografia é feita com especificações claras e objetivas previamente acordadas com o fornecedor. A inspeção metalográfica de uma amostra pode aprovar ou reprovar lotes fornecidos. Assim, a análise metalográfica serve para determinar a qualidade do lote fornecido.

Análise Metalográfica na determinação da camada cementada do aço. Ataque Nital
Análise Metalográfica na determinação da camada cementada do aço. Ataque Nital

Apesar da emissão dos Certificados de Qualidade pelo Fornecedor, é prática comum de alguns recebimentos de empresas fabricantes de produtos de alto valor agregado a verificação das propriedades físicas e químicas indicadas. Assim, alguns lotes são liberados somente após o envio do material para metalografia e com resultados aprovados.

Qual a importância de se realizar estudos metalográficos?

Análises metalográficas típicas servem para no recebimento determinar diferentes aspectos de qualidade do material. Por exemplo, medições de camadas tratadas, porcentagem de ferrita em martensita, metalografia da porcentagem de austenita retida, análise por metalografia de descarbonetação em forjados, tamanho de grão austenítico, sensitização de ligas de aço inox, entre outros.

Análise Metalográfica realizada pelo Comprador

No ensaio de metalografia as amostras precisam passar por uma sequencia de preparação. Estas etapas são seguidas pelos inspetores qualificados para este ensaio no laboratório de metalografia. As etapas da metalografia são, na maioria das vezes:

  1. Definição do problema que está sendo analisado, ou inspeção rotineira
  2. Amostragem do lote que está sendo ensaiado, e tamanho da amostra para ensaio
  3. Lixamento de Desbaste no ponto de análise
  4. Embutimento em baquelite ou resina à frio

    Metalografia Costura de Tubo de Aço Inox
    Metalografia Costura de Tubo de Aço Inox. Ataque: Oxálico Eletrolítico.
  5. Lixamento Acabamento
  6. Polimento (Desbaste e Acabamento)
  7. Limpeza em banho de ultrassom (pode ser feito entre as etapas anteriores também)
  8. Ataque químico com reagente metalográfico (Dependendo do item o ataque pode não ser necessário)
  9. Observação no microscópio e análise com técnicas de metalografia quantitativa, entre outras
  10. Emissão de Relatório Aprovado / Reprovado

A rotina do ensaio metalográfico pode ser morosa e sobrecarregar os inspetores de recebimento, como apresentado neste resumo de metalografia. Trata-se de uma inspeção que necessita de treinamento para execução das etapas de preparação e conhecimento técnico aprofundado em metalografia para aprovar ou reprovar determinado material.

As normas internacionais deixam os parâmetros de inspeção menos subjetivos, mas mesmo assim ainda é necessário o conhecimento aprofundado em materiais e muita experiência do metalógrafo em análise micrográfica para laudar corretamente uma análise.

Exemplos de Normas Internacionais de Ensaio Metalográfico com Aplicação no Recebimento de Matérias Primas Metálicas

Estes ensaios são normalizados pelas normas internacionais e necessitam de treinamentos específicos:

Exemplos de Análise Metalográfica Aço: Recebimento

– ISO 898 Mechanical properties of fasteners made of carbon steel and alloy steel — Part 1: Bolts, screws and studs with specified property classes — Coarse thread and fine pitch thread;
– ASTM A262 Standard Practices for Detecting Susceptibility to Intergranular Attack in Austenitic Stainless Steels;
ASTM E112 Standard Test Methods for Determining Average Grain Size;
– ASTM E45 Standard Test Methods for Determining the Inclusion Content of Steel;
– ISO 3887 Steels — Determination of the depth of decarburization
– ISO 2639 Steels — Determination and verification of the depth of carburized and hardened cases

classificação grafita ferro fundido
ASTM A247 e ISO 945 Comparativo e Descrição de Grafita Nodular

Exemplos de Análise Metalográfica Ferro Fundido: Recebimento

– ISO 945, Part 1/4: Graphite classification by visual analysis
– ISO 185: Grey cast irons — Classification
ISO 17804: Founding — Ausferritic spheroidal graphite cast irons — Classification

 

A melhor opção para empresa pode ser a preparação de uma equipe interna com o conhecimento e disponibilidade para a realização destas inspeções metalográficas no recebimento. E também, é interessante desenvolver um laboratório externo de ensaios, para realizar os ensaios nos casos de sobrecarga interna, ou outros imprevistos com a equipe.

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Qual é melhor aço inox 316 ou inox 304? Veja Propriedades

Inox 316L Réplica Metalográfica Oxálico 250x 1 - 2 Serviços

Fatores para a seleção de aço inox 316 / 304

Qual é o melhor inox para meu projeto? Qual o aço inox mais resistente? Como devo selecionar o melhor aço resistente à corrosão? Qual a diferença entre esses aços inox? A principal diferença entre eles é a composição química. A diferença química entre os dois aços inox está na quantidade de três elementos químicos: Molibdênio (Mo), Níquel (Ni) e Cromo (Cr). Veja a tabela comparativa abaixo.

Elemento Químico Inox 304 Inox 316* Inox 316L*
Carbono (C) ≤ 0,080 ≤ 0,080 ≤ 0,030
Cromo (Cr) 18-20 16-18 16-18
Manganês (Mn) ≤ 2,0 ≤ 2,0 ≤ 2,0
Níquel (Ni) 8,0 – 10,5 10 – 14 10 – 14
Fósforo (P) ≤ 0,045 ≤ 0,045 ≤ 0,045
Silício (Si) ≤ 1,0 ≤ 1,0 ≤ 1,0
Enxofre (S) ≤ 0,030 ≤ 0,030 ≤ 0,030

*Os aços inox 316 e inox 316L devem ter em sua composição Molibdênio (Mo)  entre 2,00 e 3,00%.

Ambos aços inox tem a mesma microestrutura composta de 100% de austenita.

A tabela abaixo apresenta valores típicos para os aços inox na condição de fornecimento indicada. As propriedades mecânicas podem variar até 40% somente pelo processamento à frio distinto.

Material Condição LR [MPa] LE [MPa] A% (50mm) Temperatura Pitting [ºC] * Corrosão Atmosférica [µm/ano]** Corrosão no Solo [µm/ano]** Corrosão Água do Mar [µm/ano] ** Variação em diferentes solos [µm/ano] **
AISI 304 304 Barra Recozida 585 235 60 30 0,87 1,8 1,13 20,39
AISI 304 304 Recozido e Trefilado à Frio 690 415 45 30 0,87 1,8 1,13 20,39
AISI 304 304 Trefilado à Frio, alta Resistência 860 655 25 30 0,87 1,8 1,13 20,39
AISI 316 316 Chapa Recozida 580 290 50 48 0,77 1,45 0,86 0,19
AISI 316 316 Barra Recozida 550 240 60 48 0,77 1,45 0,86 0,19
AISI 316 316 Recozido e Trefilado à Frio 620 415 45 48 0,77 1,45 0,86 0,19

*Conc. 0,1% íons Cl, Água do Mar (Sandvik)
**Ul-Hamid, A et all 2017

A Tabela apresenta a temperatura de Pitting e as taxas de perda de material por perda por corrosão em µm/ano. Analisando-se os dois materiais verifica-se que o aço inox 316 apresenta um menor desgaste e pode ser exposto à temperaturas mais altas sem a formação de pites. Ou seja, o inox 316 apresenta uma resistência a corrosão superior e também uma resistência maior à formação de pites. A tabela também apresenta a variação elevada das perdas por corrosão do inox 304 com a exposição a diferentes meios. O inox 316 tem uma estabilidade maior a variações do ambiente, conforme a tabela acima e o aço inox 316L ainda maior.

Qual a diferença entre 316 e 316L?

Apenas o teor de carbono!

aco-inox-316-304-propriedades-corrosao
Dados de propriedade mecânica e resistência a corrosão com dados de corrosão em campo, Aço inox 316 e aço inox 304.

A soldabilidade também é importante. O AISI 304 está sujeito à sensitização do inox.

O que é a sensitização do aço inox?

É a precipitação de carbonetos de cromo no contorno de grão da austenita após um ciclo térmico de aquecimento do material. Esta precipitação reduz significativamente a resistência à corrosão do material e afeta negativamente as propriedades mecânicas do material. Com a sensitização o aço inoxidável enferruja.

aço inox 316 sensitizado a262 metalografia
Metalografia Aço inox 316 sensitizado. Prática A ASTM A 262, realizado por Testmat.

Inspeção de recebimento

A sensitização do aço inox pode ser avaliada através da prática ASTM A 262, e pode ser ensaiado pela Testmat. Esta análise garante em grande parte a identificação de problemas que o inox poderá mostrar em campo. Junto com esta análise microestrutural também se recomenda fazer a medição do tamanho de grão da liga. O tamanho de grão terá influência nas propriedades mecânicas e no aumento de dureza nas etapas de conformação á frio. O método para a medição de tamanho de grão é dado pela ASTM E112.

Todo material inox deve ser fornecido na condição solubilizada que elimina a sensitização do inox e evita problemas de corrosão futuros. Deve-se solicitar que a condição de fornecimento (solubilizado ou não) conste no certificado de qualidade que acompanha o material.

Conclusão

  • Determine os aspectos críticos para seu projeto e sua Seleção de de Materiais
  • Avalie as opções com dados de campo semelhantes a sua aplicação
  • Informe o fornecedor os dados da sua aplicação e especificações
  • Se o fornecedor enviar o Certificado do material, determine uma estratégia de inspeção de recebimento com acompanhamento periódico
  • Se não tiver Certificado de fornecimento realize a caracterização completa do material